(Nova York, EUA) – A Alphabet, controladora do YouTube, concordou em pagar US$ 24,5 milhões (aproximadamente R$ 130 milhões) para encerrar uma ação judicial movida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros autores, relacionada à suspensão de sua conta na plataforma após os tumultos no Capitólio em 2021. O acordo, formalizado na última segunda-feira, coloca um ponto final na disputa legal que acusava a empresa de censurar vozes conservadoras.
Este é o terceiro e último acordo desse tipo fechado por Trump com gigantes de tecnologia, após ações semelhantes movidas contra o Facebook (Meta) e o Twitter (X). O valor total dos acordos nas três ações supera os US$ 59 milhões.
Detalhes do Acordo
Conforme a documentação judicial, o valor do acordo com o YouTube será destinado da seguinte forma:
| Destino dos Recursos | Valor (USD) |
|---|---|
| Trust for the National Mall (para construção de um salão de baile na Casa Branca) | US$ 22 milhões |
| Outros autores da ação (União Conservadora Americana e a escritora Naomi Wolf) | US$ 2,5 milhões |
| Valor Total do Acordo | US$ 24,5 milhões |
É importante destacar que, como parte do acordo, o YouTube não admitiu qualquer irregularidade e não fará mudanças em seus produtos ou políticas como condição do acordo.
Contexto da Disputa Legal
A conta de Donald Trump no YouTube foi suspensa em janeiro de 2021, após os eventos do Capitólio. Na ocasião, a plataforma alegou que o conteúdo dos vídeos do então presidente representava um risco de incitar mais violência. Diferente de outras plataformas, o YouTube não excluiu permanentemente o canal; a suspensão impediu novos uploads por determinado período, e a conta foi restaurada em 2023.
Em julho de 2021, Trump moveu ações judiciais contra o YouTube (Google), Facebook (Meta) e Twitter (X), acusando-as de suprir ilegalmente vozes conservadoras. Os acordos com as outras duas empresas foram firmados anteriormente em 2025: a Meta concordou com um acordo de cerca de US$ 25 milhões (sendo US$ 22 milhões destinados à futura biblioteca presidencial de Trump), e o X, de Elon Musk, acertou em US$ 10 milhões.
Cenário Mais Amplo
Os acordos bilionários simbolizam uma mudança no tom do relacionamento entre o Vale do Silício e o Partido Republicano. Os CEOs das três empresas estiveram na primeira fila durante a posse de Trump para seu atual mandato, sinalizando uma aproximação.
Paralelamente, as plataformas têm adotado medidas para afrouxar a moderação de conteúdo, que antes era alvo de críticas de republicanos por supostamente violar a liberdade de expressão. Na semana passada, o YouTube informou a um comitê do Congresso controlado por republicanos que planejava reativar várias contas que haviam sido banidas por repetidamente veicularem informações falsas sobre a Covid-19 e as eleições de 2020.