EUA pressionam Zelensky pelo rápido sim no plano de paz: autoridades ucranianas

A Ucrânia está em negociações sobre as exigências russas de território e o seu próprio pedido de garantias de segurança. Estas conversações envolvem autoridades dos EUA e, separadamente, líderes europeus que oferecem apoio à Ucrânia.

Tensões nas negociações: EUA pressionam por acordo enquanto Ucrânia pede garantias de segurança

As negociações para um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia continuam marcadas por tensões, divergências e desconfiança mútua, tanto entre Kiev e Moscou quanto entre a Ucrânia e a administração norte-americana. Os debates concentram-se em duas exigências centrais: o pedido russo pelo controlo total da região de Donbas e a demanda ucraniana por garantias de segurança robustas dos Estados Unidos contra futuras agressões.

Pressões dos EUA geram preocupação em Kiev

De acordo com uma autoridade ucraniana, uma proposta discutida entre os conselheiros de Donald Trump — Steve Witkoff e Jared Kushner — e o presidente russo Vladimir Putin teria piorado para a Ucrânia. A perceção em Kiev é de que Washington estaria a pressionar para que a Ucrânia aceitasse a exigência russa de controlo total do Donbass.

Witkoff e Kushner reuniram-se com Putin por cerca de cinco horas e, em seguida, conversaram com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, aparentemente esperando uma rápida aprovação da proposta norte-americana.

Reuniões intensas, mas sem avanços concretos

As conversas fazem parte de um processo que incluiu três dias de reuniões em Miami entre Witkoff, Kushner e conselheiros de Zelensky. Apesar de terem identificado algum progresso, não houve avanços em questões territoriais nem nas garantias de segurança exigidas por Kiev.

Donald Trump afirmou que os negociadores ucranianos apoiavam o plano, embora tenha dito estar desapontado por Zelensky não o ter lido. Do lado russo, autoridades indicaram objeções à proposta apresentada pelos EUA.

Zelensky teria informado que só recebeu oficialmente o documento norte-americano uma hora antes da chamada com os mediadores. Enquanto isso, uma autoridade dos EUA afirmou que a proposta havia sido enviada anteriormente, mas fontes ucranianas confirmaram que alguns anexos chegaram mais tarde.

Proposta dos EUA levanta críticas

Segundo um responsável ucraniano, o projeto norte-americano apresentava condições mais rígidas sobre território e sobre a central nuclear de Zaporizhzhia. Além disso, pontos cruciais ligados a garantias de segurança permaneciam sem resposta. Entre os temas mais sensíveis estavam o controlo territorial e o mecanismo para garantir retiradas recíprocas ao longo da linha de contacto.

Apesar dessas lacunas, Washington esperava que Zelensky aceitasse rapidamente o plano. Um funcionário norte-americano reafirmou que a proposta refletia contribuições ucranianas e que Witkoff e Kushner haviam pressionado Putin em pontos-chave das negociações.

Desconfiança entre Kiev e Trump

A relação entre as administrações de Zelensky e Trump mostrou sinais de desconfiança ao longo das conversas. Buscando apoio europeu, o presidente ucraniano reuniu-se em Londres com os líderes do Reino Unido, França e Alemanha para apresentar uma frente unida.

O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou que a Ucrânia ainda “tinha muitas cartas na mão”. Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, mostrou ceticismo quanto aos detalhes da proposta norte-americana e reafirmou a solidariedade europeia com Kiev. A viagem diplomática de Zelensky continua com passagens por Bruxelas e Roma.

Percepções divergentes entre EUA e Europa

A administração Trump viu o encontro de Zelensky em Londres como uma tentativa de atrasar as negociações. Por outro lado, autoridades ucranianas acreditam que Washington buscava isolar Zelensky de seus aliados europeus para aumentar a pressão por um acordo rápido.

Segundo fontes em Kiev, os EUA pediam urgência, enquanto líderes europeus aconselhavam cautela e paciência — diferença que teria irritado alguns membros da Casa Branca.

Ucrânia prepara contraproposta

Zelensky anunciou que a Ucrânia, em conjunto com potências europeias, apresentará uma contraproposta atualizada aos Estados Unidos na próxima terça-feira.

O presidente reforçou que Kiev não cederá território e que os EUA procuram um compromisso, enquanto ucranianos e europeus discutem a estrutura das garantias de segurança. Ainda não está claro qual seria o papel dos Estados Unidos na aplicação dessas garantias nem o que esperam dos seus aliados europeus.

Duas autoridades ucranianas afirmaram ainda que a proposta mais recente dos EUA para garantias de segurança é mais abrangente, mas continua sem prever um tratado formal ratificado pelo Senado norte-americano — ponto considerado fundamental por Kiev.

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