Shaina Low, assessora de comunicação do Conselho Nacional de Reabilitação (CNR), afirmou que o grupo fechará seu escritório em Jerusalém Oriental e não poderá mais enviar funcionários internacionais para Gaza para aliviar a carga de trabalho da equipe palestina, muitos dos quais perderam suas casas na guerra e estão deslocados.
Low acrescentou que alguns grupos humanitários que administram clínicas de saúde, centros educacionais e outros programas em Jerusalém Oriental podem ter que encerrar suas atividades.
Ela alertou que a proibição poderia prejudicar a capacidade das organizações humanitárias de atender às enormes necessidades em Gaza. “Já estamos vendo as necessidades continuarem a crescer em Gaza, apesar do cessar-fogo. As pessoas precisam de comida, abrigo, remédios, roupas e água potável. Portanto, a ideia de que haverá mais obstáculos para as agências humanitárias significa que essas necessidades não serão atendidas”, disse ela.

Low afirmou que as ONGs humanitárias operam 60% dos hospitais de campanha em Gaza, distribuíram três quartos da ajuda para abrigo em Gaza e 50% da distribuição de ajuda alimentar.
Israel afirma ter suspendido as organizações por descumprimento das novas regras de registro. Segundo o governo israelense, as regras visam impedir que o Hamas e outros grupos militantes se infiltrem nas organizações de ajuda humanitária.
Requisitos ideológicos
Mas as organizações afirmam que as regras são arbitrárias e alertaram que a nova proibição prejudicaria os palestinos em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que precisam de ajuda humanitária. Israel alegou durante toda a guerra que o Hamas estava desviando suprimentos de ajuda, uma acusação que as Nações Unidas e grupos de ajuda humanitária negaram.
As novas regras, anunciadas por Israel no início deste ano, exigem que as organizações de ajuda humanitária registrem os nomes de seus funcionários e forneçam detalhes sobre financiamento e operações para poderem continuar trabalhando em Gaza.
As novas regulamentações incluíam requisitos ideológicos — incluindo a desqualificação de organizações que tenham incitado boicotes contra Israel, negado o ataque de 7 de outubro ou expressado apoio a qualquer um dos processos judiciais internacionais contra soldados ou líderes israelenses.
O Ministério da Diáspora de Israel afirmou que mais de 30 grupos — cerca de 15% das organizações que atuam em Gaza — não cumpriram as exigências e que suas operações seriam suspensas.
O relatório também afirmou que a organização Médicos Sem Fronteiras, uma das maiores e mais conhecidas em Gaza, não respondeu às alegações israelenses de que alguns de seus funcionários eram afiliados ao Hamas ou à Jihad Islâmica.
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