4 de Fevereiro em Angola: da luta armada à memória viva da nação

Ao lembrar o sacrifício dos que iniciaram a luta armada, Angola reafirma o compromisso com a soberania, a paz e o desenvolvimento, mantendo viva a memória histórica como pilar da construção nacional.

O início de um caminho irreversível

O 4 de Fevereiro é um dos marcos mais profundos da história contemporânea de Angola. Celebrado como Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional, o feriado assinala os acontecimentos de 4 de Fevereiro de 1961, quando nacionalistas angolanos desencadearam ações armadas contra o regime colonial português, em Luanda.

Esses atos, dirigidos principalmente a cadeias e instalações do poder colonial, tinham como objetivo libertar presos políticos e afirmar, de forma clara, a recusa do povo angolano à dominação estrangeira. Embora militarmente limitadas, as ações tiveram um impacto simbólico enorme e marcaram o começo de um processo irreversível rumo à independência.

1961–1975: da resistência à independência

Após o 4 de Fevereiro de 1961, Angola entrou numa longa e dura fase de luta armada, conduzida por diferentes movimentos nacionalistas. O conflito prolongou-se por mais de uma década, envolvendo sacrifícios humanos, deslocações forçadas e profundas transformações sociais.

O processo culminou em 11 de Novembro de 1975, com a proclamação da independência nacional. Nesse contexto, o 4 de Fevereiro passou a ser reconhecido oficialmente como o primeiro grito armado pela liberdade, um ponto de partida da construção do Estado angolano soberano.

O 4 de Fevereiro no período pós-independência

Após a independência, a data foi integrada no calendário oficial de feriados nacionais, assumindo um caráter pedagógico, político e simbólico. Durante décadas, o 4 de Fevereiro foi celebrado como um dia de exaltação da coragem dos combatentes e da legitimidade da luta pela autodeterminação.

Em muitos momentos, sobretudo durante os anos de conflito interno, a data também serviu para reforçar discursos de unidade, resistência e defesa da soberania nacional.

A data como símbolo nacional

Ao longo dos anos, o nome “4 de Fevereiro” tornou-se parte do espaço público angolano, eternizado em locais emblemáticos como:

A Avenida 4 de Fevereiro, em Luanda, um dos principais cartões-postais da capital

O antigo Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro

Monumentos e memoriais dedicados aos heróis da luta de libertação

Esses espaços reforçam a presença da data no quotidiano dos cidadãos e mantêm viva a memória coletiva.

O 4 de Fevereiro nos dias atuais

Nos dias atuais, o 4 de Fevereiro é celebrado com um tom mais reflexivo e histórico, mantendo o respeito pelos feitos do passado, mas também abrindo espaço para o debate sobre o presente e o futuro do país.

As comemorações incluem:

Atos oficiais do Estado

Homenagens aos antigos combatentes

Mensagens institucionais sobre paz, unidade e desenvolvimento

Atividades educativas em escolas e universidades

A data passou a ser encarada não apenas como celebração da luta armada, mas como um momento de reflexão nacional sobre os desafios atuais: desenvolvimento económico, inclusão social, justiça, emprego e consolidação da paz.

Da luta armada à construção da cidadania

Se em 1961 o 4 de Fevereiro representou o início da luta contra o colonialismo, hoje simboliza a responsabilidade coletiva de preservar a independência conquistada. O sentido da data evoluiu: da guerra para a construção, do confronto para o diálogo, da libertação política para a afirmação plena da cidadania.

Para as novas gerações, o desafio é compreender o valor histórico do 4 de Fevereiro e transformá-lo em inspiração para construir um país mais justo, próspero e unido.

Memória, legado e futuro

Mais de seis décadas depois, o 4 de Fevereiro continua a ser uma referência central da identidade nacional angolana. Não é apenas uma recordação do passado, mas um convite permanente à reflexão sobre o caminho percorrido e o futuro desejado.

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