Pequim, China — Autoridades chinesas e empresas estatais do setor aeroespacial anunciaram planos para desenvolver e instalar data centers de inteligência artificial (IA) em órbita terrestre até 2030, como parte de uma estratégia nacional de longo prazo para fortalecer a infraestrutura tecnológica e a liderança em computação avançada.
O projeto prevê a criação de centros de processamento de dados baseados no espaço, alimentados principalmente por energia solar, com o objetivo de reduzir limitações energéticas e ambientais enfrentadas por data centers terrestres. A iniciativa integra esforços mais amplos da China nas áreas de inteligência artificial, computação de alto desempenho e exploração espacial.
De acordo com o cronograma divulgado, os primeiros testes e lançamentos experimentais devem ocorrer ao longo dos próximos anos, com expansão gradual da infraestrutura até o final da década. Os data centers orbitais deverão operar de forma integrada com sistemas terrestres, formando uma rede híbrida de computação.
Autoridades destacam que a iniciativa poderá apoiar aplicações avançadas de IA, telecomunicações, observação da Terra e pesquisa científica, ao mesmo tempo em que posiciona o país na vanguarda de novas arquiteturas tecnológicas globais.
O anúncio reforça o papel estratégico do espaço no desenvolvimento de tecnologias críticas e sublinha o compromisso da China em investir em soluções inovadoras para os desafios futuros da economia digital.
O anúncio da China de que pretende instalar data centers de inteligência artificial em órbita até 2030 não é apenas uma ousadia tecnológica. É um sinal claro de que a disputa global por poder computacional, soberania digital e liderança geopolítica está a sair definitivamente do solo terrestre.
Ao propor centros de processamento de dados no espaço, alimentados por energia solar e livres das limitações físicas e ambientais da Terra, Pequim envia uma mensagem estratégica: o futuro da IA não será decidido apenas por algoritmos, mas por infraestrutura, escala e controle tecnológico.
A iniciativa surge num momento em que data centers tradicionais enfrentam críticas crescentes devido ao alto consumo energético, impacto ambiental e dependência de redes elétricas frágeis. Levar essa infraestrutura para o espaço pode, em teoria, resolver parte desses gargalos mas também levanta questões sérias sobre militarização tecnológica, governança orbital e desigualdade no acesso à computação avançada.
Não se trata apenas de inovação. Trata-se de influência. Quem controlar a computação em larga escala poderá ditar ritmos de desenvolvimento em áreas como defesa, telecomunicações, ciência e economia digital. Ao antecipar-se, a China força outras potências a reagirem.
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