O presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, apresentou as novas notas bancárias do país em uma cerimônia em Damasco na segunda-feira, removendo as imagens do líder deposto Bashar al-Assad e de seu pai, Hafez al-Assad, em uma ruptura simbólica com o passado.
A nova moeda, que entra em circulação em 1º de janeiro, apresenta denominações de 10, 25, 50, 100, 200 e 500 libras sírias, após a remoção de dois zeros das notas existentes.
As notas redesenhadas exibem símbolos agrícolas, incluindo rosas, trigo, azeitonas, laranjas e amoreiras, pelos quais a Síria é conhecida, substituindo as imagens políticas.
Segundo a agência de notícias oficial da Síria, SANA, Al-Sharaa afirmou que a nova moeda marca “o fim de uma fase anterior, não lamentada, e o início de uma nova fase à qual o povo sírio aspira”.
“O novo design da moeda é uma expressão da nova identidade nacional e um afastamento da veneração de indivíduos.”
O governador do Banco Central, Abdul Qader Hosriya, anunciou que o processo de troca de moeda será concluído em 90 dias, com possibilidade de prorrogação. Um decreto presidencial de 2025 concede ao Banco Central a autoridade para definir prazos e locais para a troca de notas antigas.
Al-Sharaa enfatizou que a remoção dos zeros das notas bancárias facilitará as transações diárias, mas não significa, por si só, a recuperação econômica.
“Mudar os zeros e remover dois zeros da moeda antiga para a nova não significa melhorar a economia, mas sim tornar a moeda mais fácil de lidar”, disse ele.

“A melhoria da economia depende do aumento das taxas de produção e da redução das taxas de desemprego na Síria, e um dos pilares para alcançar o crescimento econômico é a melhoria da situação bancária, pois os bancos são como artérias para a economia.”
Ele enfatizou que a fase de transição é “sensível” e “delicada”, e pediu ao público que mantenha a calma e evite a troca precipitada de notas antigas.
“A principal preocupação era evitar o pânico entre a população”, disse al-Sharaa, alertando que a demanda excessiva poderia prejudicar a taxa de câmbio da libra síria.
Colapso da moeda
A libra síria sofreu uma queda drástica desde o início da guerra civil em 2011. A moeda era negociada a aproximadamente 47 libras sírias por 1 dólar americano em março de 2011, mas caiu para cerca de 515 libras por 1 dólar em julho de 2017.
O colapso acelerou nos anos subsequentes, atingindo 7.500 libras por dólar em abril de 2023, após a crise de liquidez libanesa. Em 2023, a taxa de câmbio havia caído para 15.000 libras por dólar.
Durante a ofensiva da oposição síria em 2024, que derrubou o regime de al-Assad, a taxa de câmbio caiu para um mínimo histórico de 25.000 libras por dólar.
Atualmente, a moeda está cotada a aproximadamente 11.000 libras por dólar, o que obriga os sírios a carregarem grandes quantias em dinheiro para compras básicas. “Se alguém quer comprar algo simples, precisa carregar sacolas para poder trocar dinheiro, então as pessoas optam por dólares”, disse al-Sharaa.
O processo de redenominização remove dois zeros, mas não altera o valor intrínseco da moeda. De acordo com o plano, cada 100 libras sírias antigas serão trocadas por uma libra nova. As moedas antiga e nova circularão simultaneamente durante o período de transição de 90 dias.
Anteriormente, as notas de 2.000 libras apresentavam o ditador Bashar al-Assad, que governou a Síria por quase 25 anos antes de fugir para a Rússia em dezembro de 2024, enquanto as notas de 1.000 libras exibiam seu pai, Hafez al-Assad, que governou de 1971 até sua morte em 2000.
As políticas econômicas do regime de al-Assad desde a década de 1980 aprofundaram a corrupção e o autoritarismo. Quando a revolução síria começou em 2011 e se transformou em conflito civil, a economia passou de uma oligarquia para uma “economia de guerra” marcada por senhores da guerra e empresários ligados ao regime.
As sanções internacionais, particularmente as impostas por nações ocidentais, restringiram o comércio e as transações financeiras. A guerra, que durou de 2011 a 2024, devastou a economia, com o desemprego disparando e os subsídios para bens básicos sendo eliminados.
Bashar al-Assad foi deposto em dezembro de 2024, pondo fim a um regime dinástico que estava no poder desde 1963.
As antigas notas de banco da Síria eram impressas na Rússia, principal apoiadora de al-Assad. Questionado por jornalistas sobre onde a nova moeda seria impressa, Hosriya não especificou.
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