O Dubai Investments Park Angola, um empreendimento de 2.000 hectares no Bengo, começa a ganhar a forma de um dos projectos mais ambiciosos do país. Inspirado no modelo do Dubai Investments Park, o projecto propõe-se a criar uma cidade económica integrada — indústria, comércio, habitação, lazer e turismo — a apenas 50 quilómetros de Luanda. A promessa é simples: diversificar a economia e atrair investimento estrangeiro para um novo polo de desenvolvimento nacional. A execução, porém, carrega desafios que vão determinar se o DIP será um marco ou mais um plano grandioso sem aterragem.
Um ecossistema urbano “all-in-one”
O projecto divide-se em vários clusters: uma zona industrial e logística a norte, áreas comerciais e de escritórios, condomínios residenciais de diferentes segmentos, infraestruturas públicas e até um campo de golfe profissional. Trata-se de uma abordagem rara no contexto angolano, onde a urbanização costuma expandir-se de forma desordenada. O DIP propõe o contrário: planeamento de raiz, infra-estrutura moderna e integração entre sectores num único território.
A ideia tem peso estratégico. Além de descongestionar Luanda, o projecto aposta em atrair empresas internacionais que procuram operar em Angola com custos mais controlados e maior previsibilidade. As primeiras confirmações já surgiram, com empresas estrangeiras a garantirem espaço para instalação de fábricas e centros logísticos.
Atracção de investimento e ambição regional
Nos bastidores, o DIP Angola tenta posicionar-se como porta de entrada para fluxos de capital vindos dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, China e outros mercados que procuram expandir-se em África. A adesão de promotores imobiliários e industriais internacionais alimenta o discurso de que o projecto pode tornar-se num polo económico competitivo na região.
Ao mesmo tempo, a componente residencial quer captar tanto classe média emergente como segmentos de alto rendimento, com zonas costeiras preparadas para turismo e empreendimentos premium. A combinação reforça a ambição: criar, ali, o primeiro grande núcleo urbano angolano construído com lógica de cidade económica.
Entre a promessa e o risco
O potencial é evidente, mas os desafios também. Projectos desta escala em Angola enfrentam obstáculos previsíveis: execução faseada, dependência de estabilidade macroeconómica e eventuais entraves regulatórios. O sucesso do DIP depende tanto da construção de infra-estrutura como da capacidade do país em manter confiança regulatória e atrair empresas com poder real de investimento.
Há ainda o risco de descolamento entre oferta e procura. Condomínios de gama média e alta enfrentam um mercado interno sensível à conjuntura económica. O próprio sector industrial, embora promissor, depende de políticas públicas que facilitem operações, importação de equipamentos e competitividade fiscal.
Um novo epicentro para Angola?
Se superar estes obstáculos, o DIP Angola pode tornar-se num dos motores da economia nacional, combinando indústria, logística, turismo e ambiente urbano planeado. É um exemplo raro de visão de longo prazo num país onde grandes projectos costumam morrer na mesma velocidade com que são anunciados.
Por agora, a ambição está desenhada. A pergunta que fica — e que vai definir o legado do DIP — é se Angola está finalmente pronta para transformar megaprojectos em realidades duradouras.
A resposta virá com o tempo, mas uma coisa é certa: o DIP Angola já entrou no radar de quem acompanha o futuro económico do país.